Mamãe e bebês – parte I

Por Luiz Henrique

amamentacao

Sáti e seus bebês

Tenho visto muitas dúvidas sobre cruzamentos e gestação de ratos de estimação. Como este é um assunto com muitos detalhes a serem observados, resolvi dividir o post em duas partes. Há muitos motivos que levam as pessoas a buscar informações sobre isso. Pode ser que você tenha pego uma menina de um reprodutor desleixado e descobriu que ela já estava grávida. Ou pode ter acontecido um “acidente” em casa e sua menina engravidou. Pode ser que você esteja querendo cruzar seus meninos para ter sua própria ninhada. Pode ser que você esteja pensando em se tornar um criador. Pode ser que você esteja simplesmente curioso. Em qualquer caso, vou tentar sanar o máximo de suas dúvidas.

Por que não cruzar

Antes de vermos o lado bom das coisas, vamos a uma dose de realidade. Se você está pensando em cruzar seus filhotes, já parou para pensar se vale a pena?

Cruzar filhotes em casa sai caro. Principalmente se for a primeira ninhada. Depois vamos ver tudo o que é necessário ter para que os filhotinhos se desenvolvam bem – a primeira ninhada não sai, hoje, por menos de R$800,00. Isso pensando nas soluções mais baratas imagináveis para berçários, etc. e se nada der errado. Se você acha que vai economizar tendo eles em casa, ao invés de comprar (ou adotar) de um bom criador, está muito enganado. Outra coisa é que não é difícil conseguir doações, se você procurar nos lugares certos. Ao invés de ter seus próprios bebês, será que não seria melhor dar um bom lar a ratos que precisem?

Outro fator é que, como toda gravidez, há riscos para a mãe. Durante a gravidez, é necessário monitorar a saúde da mãe com muito cuidado. Isso demanda tempo e dedicação. Além disso, é importante você estudar sobre quais são os sintomas dos principais problemas que podem acontecer, para não perder tempo ao chamar um veterinário. Alguns problemas, se não receberem atenção médica imediata, podem levar mãe e bebês à morte – muito rápido. Bons criadores já têm a experiência necessária para reconhecer essas ameaças e contam com um bom veterinário à disposição.

Também, é necessário saber sobre como a genética de seus filhotes (os pais da ninhada) influencia não apenas na aparência, mas no desenvolvimento e propensão a doenças conhecidas, temperamento, inteligência, enfim. Bons criadores estudam muito para isso. Muito mesmo.

Finalmente, se você não pretende ficar com a ninhada toda, que fica em torno de 12 filhotes, verá que é muito difícil entregá-los a bons lares. Pode não parecer, mas é.

Por que cruzar

Apesar de ser uma tarefa cara e árdua, há seus pontos positivos. Se você tem aquela menina perfeita e aquele menino maravilhoso, cruzá-los é uma maneira de manter vivas suas características. Você sabe que muitos traços de suas personalidades serão transmitidos à futura geração. Você tem controle sobre quais traços quer perpetuar. E os filhotes serão plenamente acostumados a você, pois lhe conhecem desde o primeiro dia de suas vidas. Uma família é constituída.

Quando e como cruzar

Uma gravidez planejada requer… Hummm… Planejamento. Ratos já podem ser sexualmente ativos a partir da quinta semana de vida e continuarão assim até seu fim. Mas não é saudável, principalmente para a fêmea, ter filhotes muito cedo ou muito tarde. É o mesmo que acontece conosco. Gravidez na adolescência é complicada. Gravidez após os quarenta anos, também. Alguns laboratórios afirmam cruzar suas meninas aos quatro meses de idade. Para ratos domésticos, quatro meses é cedo. O ideal é que a menina não engravide antes do sexto mês. Assim, é possível saber como é seu temperamento, saúde, etc. Também, ela vai estar mais madura, com um instinto materno mais aguçado, estando assim, mais disposta a dar o máximo de atenção para sua cria. Essa atenção é crucial para o desenvolvimento de um bom temperamento nos filhotes. Após o primeiro ano de vida, uma gravidez já começa a apresentar riscos para a mãe. A taxa de abortos espontâneos começa a ficar alta e muita coisa pode dar errado. Mesmo que a gravidez ocorra sem grandes transtornos, para uma menina já de mais idade, é difícil acompanhar o pique daquelas pestinhas. O estresse de cuidar de tanta gente agitada pode comprometer seriamente a saúde da mãe. Para o macho, é bom que ele não seja muito mais novo do que sua parceira. Ela pode rejeitá-lo, bater nele, etc. Também não é bom que ele tenha mais de dois anos, devido à diminuição da qualidade do esperma.

Não é só a idade que importa. O peso também deve ser observado. Uma fêmea de uma linhagem comum deve ter entre 250g e 300g. Se tiver menos de 250g, pode não suportar a exigência de fornecer nutrientes a 12 indivíduos em seu ventre. Se tiver mais de 300g, uma gravidez pode alterar sua pressão arterial, entre outros problemas, sendo perigosa para mãe e bebês. É o risco de uma gravidez, quando a mãe está acima do peso ideal.

Portanto, é muito importante que um veterinário faça um checkup na menina, antes de cruzá-la. Ele deve avaliar peso, hidratação, dentes e a saúde geral da futura mamãe.

Quero enfatizar aqui a questão do temperamento. É muito importante observar o comportamento dos candidatos a pai e mãe antes de cruzá-los. Agressividade, docilidade, propensão a depressão, impulsividade, medo exagerado, inteligência, entre muitos outros atributos, têm uma componente hereditária fortíssima. Além disso, é a mamãe quem vai ensinar as regras de etiqueta para os pequeninos. É fundamental que se faça uma boa escolha do par a se procriar.

Escolhido o par, ainda há o problema de se darem bem. Às vezes, eles simplesmente não gostam um do outro. Às vezes, a fêmea rejeita o macho. Como toda apresentação, todo cuidado é pouco. Se a fêmea não estiver disposta e o macho for insistente, pode dar briga feia. Eles têm que ser monitorados de perto. Mas se a menina gostar do garotão, estiver disposta e no cio, vão fazer amor. Quando ela está no cio, normalmente fica mais receptiva no início da noite ou no início da manhã. De 20 a 23 dias depois, as borrachinhas virão ao mundo.

Na próxima semana:

Na segunda parte deste post, falarei sobre os cuidados com a mãe durante a gestação, a gaiola adequada para seu ninho, o berçário ideal, como acompanhar sua saúde, a dieta adequada, o acompanhamento e o cuidado adequados com os filhotes e algumas dicas preciosas para que os filhotinhos se tornem adultos fofos e saudáveis.

bebe

Até semana que vem!

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