O que aprendemos com a Sáti

Por Aline Pêgas

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Primeiro dia da Sáti conosco. Eu tive que ir correndo comprar tela.

A Sáti foi uma das nossas primeiras ratas. Ela, a Maya e a Kali vieram morar conosco no dia 1° de abril de 2015. Na época era dificílimo encontrar ratos pra vender ou adotar em Curitiba. Depois de bastante tempo procurando, encontramos uma clínica veterinária que criava ratos para alimentação de répteis e também os vendia como animais de estimação (sinceramente, acho que ninguém antes de nós havia pedido um rato como animal de estimação nessa clínica). Essa semana, no dia 27 de fevereiro, ela faleceu. Durante quase 2 anos a Sáti conviveu conosco, mudando pra sempre as nossas vidas. Ela e suas irmãs inspiraram a criação desse blog. Em homenagem à Sáti, vou contar um pouco da história dela e das coisas que nos ensinou. Espero que nossa experiência com ela ajude muitos humanos a se tornarem grandes amigos de seus ratos.

A Conquista

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Depois de alguns dias conosco, já estava confiante pra dormir fora da toca.

Quando você traz um rato pra casa, ele não é automaticamente seu amigo. Há um período de conquista e adaptação. Quando o rato veio de um criador responsável, que fez uma socialização adequada, é mais fácil. Mas mesmo assim, os primeiros dias são um pouco tímidos. A Sáti não foi criada pra ser um rato de casa, ela nasceu num biotério onde provavelmente era manipulada incorretamente. A sua irmã Maya já chegou aqui com a pontinha do rabo faltando. Nos primeiros dias a Sáti e a Maya tinham medo de sair da casinha. Era a Kali, mais corajosa, quem ia buscar ração no comedouro e levava pra elas dentro da casinha.

Eu e o Luiz Henrique, meu marido, havíamos lido muito a respeito de ratos antes de trazer as meninas pra casa. Um dos fatores que nos levou a querer ratos ao invés de mais camundongos foi termos lido que os ratos interagem mais com as pessoas. Aqueles vídeos fofinhos de ratos esbugalhando os olhos enquanto recebem carinho nos derreteram. Mas, as nossas meninas não eram assim. Elas pareciam muito medrosas. A Maya e a Kali se socializaram mais rápido, mas a Sáti era medrosa e mordia. O que o Luiz fez pra conquistá-la foi levá-la pra passear pela casa dentro de uma bolsinha de crochê onde ela se sentia segura. Depois de alguns dias ela começou a vir correndo pra porta quando via a bolsinha. Depois de duas semanas já subia no ombro do Luiz pra passear. Era outra pessoa. Ela nos adotou como sua família.

Eu que mando

A Sáti sempre teve uma personalidade forte. Nós a chamamos carinhosamente de baixinha terrível. Ela nunca foi a fêmea alfa da gaiola, mas não estava nem aí pra isso. A Sáti fazia o que quisesse. Com humanos era a mesma coisa. Você não podia esperar que ela ficasse quietinha no seu colo pra receber carinho, mas ela fazia carinho em você. Todos os dias durante seu passeio matutino no quarto a Sáti limpava o rosto do Luiz com a maior diligência. Suas lambidas e beijinhos eram uma forma de cuidado conosco. Sentiremos muita falta disso.

Maternidade

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Lindas borrachinhas

Em outubro de 2015 nós cruzamos a Sáti e o Odin. Eles tiveram dez lindos filhotinhos: Baldur, Frey, Frigga, Loki, Nanna, Sol, Syf, Thor, Tyr e Var. Essas são as crianças mais fofas do universo e região. Ficou claro para nós que os filhotes não herdam apenas as características físicas dos pais, mas a personalidade. Os filhos da Sáti são lindos, empáticos, carinhosos e inteligentes. Ela se dedicou a eles completamente. Os bebês estavam sempre limpinhos, aquecidos e bem alimentados.

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Ser mãe às vezes cansa

Em alguns meses a Sáti voltou a ser a menor rata da casa, com aproximadamente 220g. Seu maior filho, Baldur, tem 700g. Ela voltou a ser mãe, dessa vez adotiva. Nas duas vezes em que apresentamos meninas novas para as novas fêmeas, a Sáti as adotou e cuidou delas como se fossem da família.

Nossa pequenininha

Sábado passado, nossa pequenininha faleceu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. No seu último dia ela estava um pouco inquieta, não quis ficar na gaiola. Ela queria ficar no colo do papai. Passou suas últimos horas no ombro da pessoa que ela mais amava. Ela sempre será amada, e suas histórias sempre serão contadas aqui. Seguem mais algumas fotos da baixinha terrível.

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Sáti subindo no colchão dois dias após dar à luz

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Isso é um espelho? O que tem aqui atrás?

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Barrigão dois dias antes de chegarem os filhotinhos

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Com o Baldur e a Nanna

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Dormindo com o Tyr

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Seus maravilhosos filhotinhos

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Já mais velha, fazendo companhia pra mamãe no sofá e comendo um pouco de granola.

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Sobre Aline Pêgas

https://alinepegas.com.br
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2 respostas a O que aprendemos com a Sáti

  1. Luiz Andrade diz:

    Gente, que histórias vocês contam aqui! Fico mais inspirado a ter como amigos esse bichinhos maravilhosos a cada publicação que leio por aqui. Gostaria apenas de agradecer a vocês por esse trabalho inacreditável.

    Liked by 1 person

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