O que fazer em caso de problemas?

Por Luiz Henrique.

Filho é assim mesmo: chega o feriado prolongado e pronto – fica doente. Isso vale para filhos de todas as espécies. O importante é estar prevenido para estes contratempos. Em uma situação de emergência, temos que saber o que fazer e – o mais importante – o que não fazer. Neste post, quero compartilhar algumas dicas que podem salvar a vida de seus amiguinhos dentuços.

DSC05298

A hora de procurar um veterinário

O melhor momento para procurar um veterinário é antes de ter os primeiros ratos. Sei que isso nem sempre é possível, mas é o momento ideal. Ratos não são como cães e gatos. Se alguém tiver uma emergência com seu cachorrinho ou gatinho, é muito fácil achar um veterinário que saiba o que fazer. Com ratos, isso é muito mais difícil. Além disso, problemas de saúde pioram muito rápido em ratos. Assim, é crucial ter o contato de um veterinário especialista na agenda. Se deixar para procurar um profissional na hora em que estiverem doentes, muito provavelmente não haverá tempo de salvá-los.

Portanto, se você tem ratos e não conhece um veterinário que possa atendê-los, procure hoje. Agora. Pare de ler o post e vá atrás de um. Se não sabe por onde começar, continue lendo, vou dar algumas dicas.

Ao contactar um veterinário especialista, verifique sua formação, experiência e disponibilidade. Lembre-se de que crianças ficam doentes aos fins de semana. Então, é importante que ele esteja disponível ou que indique alguém que possa substituí-lo em caso de ausência.

Como encontrar um especialista

Em grandes centros, isso é fácil. Basta uma busca pela Internet e aparecerá algum. Há clínicas, hospitais (públicos e particulares) e nomes famosos. Mas e quando não aparece nada?

A primeira tentativa deve ser em redes sociais. Procure por grupos de pessoas que têm ratos como animais de estimação. Há vários bons grupos assim. Pergunte por profissionais confiáveis nas proximidades de onde você mora. O bom desses grupos é que as pessoas podem lhe indicar um veterinário em quem confiam. Porém, como a criação de ratos ainda não é muito popular, pode ser difícil encontrar um profissional, se você vive longe de grandes centros.

Digamos que os grupos não tenham sido de grande ajuda. Onde você conseguiu os ratos? Se você comprou ou adotou de uma pet shop, eles devem lhe informar um profissional de confiança. Volte lá e pergunte. É obrigatório que eles tenham alguém para lhe indicar. Se você comprou ou adotou de um pequeno criador, ele deve conhecer um veterinário especialista. Volte lá e pergunte a ele. Se ele não conhece nenhum veterinário que seja capaz de cuidar de ratos, então você está com problemas. Você colocou sua própria saúde e a saúde de seus familiares em risco. Criadores responsáveis devem estar muito atentos à saúde de seus pequenos. Mesmo tomando todos os cuidados, ainda é possível que adoeçam. Você precisa achar um veterinário com urgência e fazer um checkup em todo mundo. E denuncie o criador.

Digamos que você recebeu os ratos de alguém que os “salvou”, em uma outra cidade. Em sua cidade não há clínicas ou profissionais conhecidos. O veterinário do cachorro do vizinho também não conhece nenhum colega que entenda do assunto (sim, perguntar a veterinários se eles conhecem alguém que possa lhe ajudar é uma boa saída, também). Então, você pode procurar por laboratórios. Laboratórios de pesquisa com animais podem ser encontrados em empresas do ramo ou em cursos universitários. Nesses casos, é obrigatório que tenham um biotério, que é o lugar que fornece os bichinhos que serão alvo dos experimentos. Mesmo que a faculdade não tenha um biotério, ela deve receber as cobaias de um. Se há uma faculdade que oferece cursos na área de saúde perto de sua casa (na cidade mais próxima, por exemplo) eles devem ter um biotério. Biotérios são mantidos por bioteristas, que devem conhecer, necessariamente, um veterinário especialista. Vá perguntando até chegar no bioterista. Aí, pergunte a ele quem é que cuida da saúde dos pequeninos abrigados lá.

Se, próximo a você, não há veterinários que sejam capazes de cuidar deles, criadores, biotérios ou laboratórios, então você deveria repensar a atitude de mantê-los consigo. Você ficaria tranquilo de ter um filho sem conhecer um único médico, sem saber de ninguém com quem possa contar, caso adoeça? Pois bem…

E os problemas financeiros?

A grande maioria de nós passa, em uma fase ou outra da vida, por problemas financeiros. Cuidar da saúde de ratos não é muito barato. Caso você esteja nesta situação, há alternativas.

A primeira é procurar por hospitais veterinários públicos. É curioso, mas pouca gente sabe que eles existem. Estes lugares prestam um grande serviço à comunidade e os profissionais que ali atuam não serão insensíveis à sua situação. Alguém dará um jeito.

Caso não haja hospitais públicos nas redondezas, converse com um veterinário especialista. Acredite, a maioria dos veterinários (principalmente especialistas em exóticos) têm amor pelo que fazem e colocam o bem-estar dos bichinhos em primeiro lugar. Converse com ele e explique sua situação. Com certeza ele vai encontrar uma maneira de atender seus pequenos que contemple sua situação. Pode ser por desconto, por parcelamento, por voluntariado, enfim. É um ser humano – converse com ele.

Se sua situação estiver realmente ruim, você ainda pode pedir ajuda nos grupos que citei, lá no começo do post. As pessoas são solidárias e podem até mesmo fazer uma vaquinha para você, se souber como pedir.

O que não fazer

Há muitas coisas que você não deve fazer para cuidar da saúde de seus ratos. A melhor maneira de saber todas elas é conversar com o veterinário que você já deve ter encontrado. Mas vamos colocar aqui as principais.

  • Não medique seu rato por conta própria. Isso inclui remédios caseiros, receitas da vovó, chazinho de ervas, remédios para crianças ou para outros animais. Ratos são diferentes de humanos, de cães e de gatos. O que serve a um, pode ser um veneno a outro. O chazinho de casca de laranja, por exemplo, é cancerígeno a ratos machos. Só um veterinário especialista sabe o que é seguro.
  • Não siga instruções médicas de não especialistas. Mesmo que sejam veterinários. Muitos veterinários de animais de pequeno porte não sabem o quão diferentes os ratos são, até mesmo de outros roedores, como porquinhos-da-índia. Se não for especialista em exóticos, ele provavelmente não vai saber o que fazer e pode, inclusive, agravar a condição do seu pequeno. Procure um veterinário de confiança.
  • Não busque instruções médicas em grupos de redes sociais, com criadores, por mais experientes que sejam, ou em blogues da Internet. Isso mesmo, blogues da Internet. Aqui, nós podemos orientar as pessoas a melhorar a qualidade de vida dos ratos de estimação, a perceber sinais de que algo está errado (e portanto é hora de procurar um profissional) e a melhorar o relacionamento entre ratos e tutores em geral. Apenas um especialista pode prescrever um tratamento a uma condição de saúde, mesmo que seja simples. Procurar primeiro na Internet pode fazer com que você perca um tempo precioso e ainda colocar a vida do pequeno em risco. Lembre-se de que problemas de saúde em ratos evoluem muito rápido.
  • Não espere por um milagre. Peça ajuda.

Muitas pessoas têm nos procurado em busca de orientações médicas. Acredite, a resposta será sempre a mesma: não damos orientações médicas. Nem mesmo um veterinário especialista pode dar orientações sem uma consulta presencial. E fica um alerta: não confie em quem dá este tipo de orientação. Se a pessoa não sabe nem que isso é crime (viola o código de ética da medicina veterinária), quem garante que seu palpite não prejudicará seu pequeno? Nada substitui o olhar de um veterinário (ou, no caso do nosso, o nariz – ele detecta alguns problemas até pelo cheiro – impressionante).

Se precisar de orientações médicas, você pode contar conosco para encontrar um profissional perto de você. Faremos o que estiver ao nosso alcance para isso. Se você conhece um veterinário de confiança, que cuida dos seus ratos, gostaríamos muito que entrasse em contato com a gente e fizesse sua recomendação.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em saúde com as etiquetas , , , . ligação permanente.

2 respostas a O que fazer em caso de problemas?

  1. Pedro Miguel Marques diz:

    Bom dia a todos
    Comprei recentemente uma ratazana doméstica com 2 meses de vida. É uma fêmea a quem demos o nome de “Michelle”. De repente, no espaço de uma semana, a barriga da Michelle cresceu até parecer uma pêra. Isto apanhou-me de surpresa. Já tinha tido muitos exóticos, mas ratazana é a primeira vez que tenho.
    No dia 9/fevereiro/2018, a Michelle teve 8 bebés, sendo que um deles morreu pouco depois.
    Escusado será referir o redobrar de cuidados que passámos a ter com a Mãe e as crias, 7!
    Porém este sábado de manhã ao dar água nova e paparoca à Michelle reparei que um dos bebés tinha uma patinha quase estrangulada no algodão (apropriado para ratos) do ninho.
    Com muito cuidado desembaracei a patinha do algodão, desinfectei e pús uma pomada para cicratizar.
    Ontem de manhã estava mais inchado, mas à noite estava a normalizar.
    A minha questão é saber se é adequado passar a andar com o pequenote comigo para todo o lado, mantendo-o aquecido e amamentado com Leite de vaca misturado com um pouco de água.
    Isto porque fiquei com a impressão que a Michelle “empurra” o filhote para fora do ninho.
    O que me aconselham?
    Obrigado
    Pedro

    Liked by 1 person

    • Olá, Pedro Marques.
      Nessa fase, pode ser que a pele de sua barriga ainda esteja um pouco transparente. Caso sim, seria possível observar se seu estômago contêm leite, o que indicaria que Michelle o amamenta adequadamente. Porém, se seus pelos já crescem, fica difícil determinar se ele se alimenta bem. É possível, caso seja necessário, alimentá-lo com leite em pó reconstituído, como se faz com crianças humanas. O leite de vaca também é adequado, mas não é bom misturar muita água. Caso Michelle realmente o rejeite, é importante mantê-lo aquecido, alimentado (como explicado acima) e higienizado. O problema é que eles, quando pequenos, precisam de estímulo da mãe para defecar ou urinar. Assim, é necessário que sua barriga seja massageada. Tu podes pegar hastes flexíveis (com algodão nas pontas) e esfregar levemente a barriga do pequenino. Um pouco de óleo de cozinha (bem pouquinho) pode ajudar a não ferir sua pele. Pense nisso como o equivalente humano de fazer a criança arrotar. Se ele não urinar ou defecar, pode sofrer uma intoxicação severa.
      Ao se afastar do ninho, seu corpo começa a esfriar e isso dispara o instinto de chorar de um modo bastante específico. Ao ouvir este tipo de choro, a mãe responde, normalmente, recolhendo o pequeno ao ninho. Podes testar isso. Se ela o rejeita, não responderá ao choro.
      Mas tenhas em mente que criar um órfão é uma tarefa muito desgastante, com poucas chances de sucesso. Entretanto, se der certo, ele será o rato mais fofo do mundo.

      Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s