Laços de família

Por Luiz Henrique.

Frequentemente, vemos pessoas com dúvidas sobre a segurança de cruzamentos consanguíneos em ratos. Sabemos que, em humanos, isso é bem problemático. Mas e em ratos? Será que é a mesma coisa? Vamos ver, de perto, a questão do inbreeding.

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Monumento em Novosibirsk, Rússia

Charles Darwin estudou a questão da variação de características, dentro de uma mesma espécie, com profundidade. No livro “A Origem das Espécies”, ele faz uma análise comparativa sobre a aptidão à sobrevivência dos filhos, segundo o grau de variação dos pais. Segundo ele, se os pais forem muito diferentes (de gêneros diferentes, por exemplo), dificilmente seus filhos, se chegarem a nascer, serão saudáveis. Por outro lado, se os filhos têm ancestrais com pouca variação (são todos aparentados), a saúde deles pode ser comprometida. Hoje, mais de 150 anos após a publicação deste livro, sabemos com muito mais detalhes o que realmente acontece e que há algumas exceções à esta “regra”. Normalmente, é verdade que muita variação ou pouca variação são prejudiciais, donde os filhos mais saudáveis saem de um meio termo disso. Porém, hoje temos ferramentas poderosíssimas para avaliar essas coisas. Hoje, temos o conhecimento da genética.

 

Cada traço hereditário nosso é codificado em moléculas especiais, dentro de nossas células, o que chamamos de DNA. Esse código genético é dividido em segmentos, como se fossem as palavras de um texto, separados por espaços. Cada trecho desses é chamado gene. Nós, tanto humanos quanto ratos, temos por volta de 30.000 genes. Esses genes ficam organizados em “pacotes” enovelados, chamados cromossomos. Humanos têm 23 pares de cromossomos, ratos têm 21. Note que contamos os cromossomos aos pares. Nós temos 46 cromossomos em uma célula comum do nosso corpo, com 23 tipos diferentes de cromossomos. Assim, cada um tem seu par, semelhante em função. Isso porque herdamos 23 cromossomos diferentes de nossa mãe e 23 de nosso pai. Por exemplo, seu pai tem dois cromossomos com um gene (cada um) para o tipo sanguíneo dele. O mesmo ocorre com sua mãe. Seu pai forneceu um deles para você e o outro veio da sua mãe. Neste cromossomo, o lugar em que fica o gene para uma determinada característica é sempre o mesmo, chamado locus. Neste mesmo locus, o código pode variar um pouco. É por isso que temos vários tipos sanguíneos (A, B, O, AB). Cada variante dessa é chamada alelo. Meu pai tinha tipo sanguíneo A. Minha mãe, tem tipo O. O meu tipo é O, também. O que aconteceu foi o seguinte. Minha mãe tem os genes para o tipo O, ii (dois “i” minúsculos). Meu pai tinha os genes Ai (um para o A, um para o O). Eu fiquei com um dos “is” dele e um da minha mãe, o que resultou em ii, como ela. Meu pai tinha sangue tipo A, porque o A “domina” sobre o i. Pessoas com tipo A podem ter genes AA, ou Ai. No segundo caso, a característica não aparece e dizemos que o gene é recessivo. Suponha que duas pessoas tenham os genes Ai e Ai. As duas têm tipo sanguíneo A. Mas elas podem fornecer aos filhos, tanto o A, quanto o i. Assim, os filhos podem ser AA, Ai ou ii. Ou seja, mesmo os pais sendo, ambos, tipo A, o filho pode nascer tipo O. Essa característica fica “escondida” nos pais. É com esse tipo de característica que os criadores precisam se preocupar. Se uma característica para uma doença for recessiva, ela pode ficar “escondida” nos pais. Eles têm essa característica, mas ela não aparece. Dizemos que eles são portadores dessa característica. Voltando ao caso do tipo sanguíneo, temos ainda outro caso: o tipo B. O tipo B não domina nem é dominado por A, mas domina i. Assim, BB e Bi se expressarão como tipo B. Mas se uma pessoa Ai tiver filhos com uma Bi, podem nascer AB, Ai, Bi ou ii, ou seja, tipo AB, tipo A, tipo B ou tipo O.

Suponha que exista uma doença genética, recessiva. Vamos representá-la pela letra “D”. Assim, um indivíduo DD ou Dd é saudável, enquanto um dd é doente. Pais saudáveis, neste caso, podem ter filhos doentes. Veja só. Se um deles for DD, o filho será saudável, pois basta ter um D para isso. Mas se os dois forem portadores da doença, ou seja, os dois são Dd, os filhos podem nascer com DD, Dd ou dd. Se o alelo “d” é raro na população, será difícil que a doença apareça, pois sempre temos uma grande chance de cruzamentos com indivíduos com DD. Mas se um indivíduo é portador de “d” e cruzamos apenas seus filhos, a chance de aparecer alguém dd é cada vez maior. O cruzamento consanguíneo aumenta a incidência de características recessivas. Note que isso só é ruim, se a característica recessiva é indesejável. Há características recessivas desejáveis. O cruzamento consanguíneo, na verdade, aumenta a homozigose, ou seja, a semelhança entre os genes de um mesmo locus. Isso acontece, porque os filhos podem herdar dos dois lados (por parte de pai e de mãe), um gene que é cópia (ou que veio de) um gene de uma mesma pessoa. Veja a figura abaixo.

inbreeding

Como um neto pode ter um gene de um só avô

Cruzamos os indivíduos A e B. Eles têm três filhos. Cruzamos então o segundo com o terceiro filho. O gene vermelho na última geração é cópia do gene do avô. Um deles recebeu os dois genes do mesmo indivíduo (do avô). Por isso, foi criado um coeficiente, chamado coeficiente de consanguinidade (ou COI, Coefficient of Inbreeding). Ele é a probabilidade de dois genes, em um dado locus, serem cópias de um único gene (de um ancestral). Algumas linhagens de ratos de laboratório possuem um coeficiente próximo a 100%. Ou seja, quase todos os seus genes vieram de um mesmo ancestral (cada um). Nesse caso, quaisquer dois indivíduos da mesma linhagem (e do mesmo sexo) são praticamente idênticos, do ponto de vista genético (chamamos isso de isogenia). Se eles são saudáveis, terão filhos saudáveis, pois os filhos são idênticos aos pais. Não importa se o cruzamento for entre irmãos ou não. Um irmão é geneticamente idêntico a um primo distante – não faz diferença, neste caso.

Nós, humanos, temos muitos problemas com casamentos consanguíneos, porque temos uma variação genética muito grande. Na verdade, somos uma espécie híbrida. Em nosso genoma (pelo menos no meu, que é brasileiro), temos genes vindo de Homo Sapiens, de Neandertais e de Denisovanos. Neandertais e Denisovanos eram outras espécies de hominídeos que se miscigenaram com o Homo Sapiens (na Europa e Ásia), como foi recentemente comprovado por “testes de paternidade” em indivíduos que tiveram seus restos mortais preservados. Esses cruzamentos entre indivíduos de espécies diferentes são problemáticos (nem todos os descendentes são férteis), mas oferece algumas vantagens.

Ratos de laboratório, por outro lado, têm uma variação genética relativamente pequena. São todos vindos, seja de perto ou de longe, dos ratos do Instituto Wistar. Qualquer cruzamento é consanguíneo em algum grau, pois são todos parentes. Isso faz com que a tolerância a cruzamentos entre irmãos seja muito grande.

Por causa dessa tolerância, o cruzamento consanguíneo pode ser usado, como técnica, para fixar características desejáveis e eliminar as indesejáveis. Como esse tipo de cruzamento aumenta a homozigose (os genes idênticos no mesmo locus), os problemas ligados a genes recessivos tendem a aparecer com mais frequência, ao invés de ficarem escondidos. Uma vez identificados, não se reproduz aqueles indivíduos. Com o tempo (e em muitas gerações), pode-se eliminar a propensão a uma determinada doença, por exemplo. Sem esta técnica, a doença se espalharia silenciosamente até alcançar toda a população.

É por isso que recomendamos às pessoas que desejem ser criadores que estudem muito, principalmente sobre doenças hereditárias e técnicas de seleção genética. Abordei o tema de maneira muito simplificada, para fins didáticos. Na prática, uma característica pode ser determinada pela interação de vários genes (que podem estar em cromossomos diferentes). Isso complica bastante o cenário de transmissão e expressão delas.

Para terminar, alguns dados adicionais. Cruzamentos consanguíneos são usados com frequência em várias criações. Um exemplo, um tanto problemático até, é o dos cães. Cães não têm uma tolerância muito boa a cruzamentos consanguíneos, mas conseguimos raças puras com esta técnica. Hoje, um pastor alemão tem um coeficiente de consanguinidade próximo a 45%. A reprodução indiscriminada, por pessoas que não conhecem nada sobre genética, fez com que doenças hereditárias se tornassem comuns nessa raça. A epilepsia é um exemplo. Em cavalos, o coeficiente não passa de 25% (confira estes dados aqui e aqui). No caso de ratos, uma colônia só pode ser chamada de linhagem, se tiver origem em cruzamentos consanguíneos a, no mínimo, 20 gerações. Para se atingir a isogenia (ou seja, indivíduos com coeficiente de consanguinidade próximo de 100%), são necessárias 40 gerações, pelo menos (há muitas informações sobre isso aqui).

Moral da história: cruzamentos consanguíneos em ratos é uma faca de dois gumes. Pode ser desastroso para aqueles que não sabem o que estão fazendo, mas é uma técnica valiosa nas mãos de criadores competentes e responsáveis.

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Cuidando de um rato aposentado

Por Aline Pêgas
 
1024px-Wistar_ratVocê já pensou em adotar um rato de laboratório? Essa semana vamos falar sobre como cuidar de ratos que participaram de experiências científicas. Eu gostaria de dizer que esses ratos são verdadeiros heróis, cheios de coragem e bravura, mas eles nunca tiveram escolha. Nós os usamos indiscriminadamente para o nosso próprio benefício e depois nos dispomos deles. Uma enorme quantidade de medicamentos para humanos é testada em ratos, mas você não vai encontrar medicamentos que tratem as doenças deles em nenhuma farmácia. Segundo a lei brasileira, dependendo do tipo de experimento, é preferível que, ao término da experiência, o animal seja adotado do que eutanasiado. A dívida que temos com os ratos nunca será paga, mas melhorar a vida de alguns deles e dar uma aposentadoria digna para quem deu a vida por nós é o mínimo que podemos fazer.

Você está pronto para adotar um rato de laboratório?

Antes de mais nada, vamos falar dos desafios que você deve esperar caso decida adotar um rato de laboratório. Aqui vão algumas perguntas que você deve se fazer antes de decidir adotar:
  1. Você pode arcar com o custo financeiro? Ao término de um experimento, geralmente o rato já tem 1 ano de idade. Além disso, ele viveu em confinamento, o que é prejudicial à saúde. O tipo de experimento pode provocar problemas de saúde. Ele pode ter predisposição genética a certas doenças. Tudo isso significa uma conta alta no veterinário. Isso nos leva à segunda pergunta.
  2. O lugar onde você mora tem um veterinário especialista em ratos? Ratos de laboratório já sofreram o suficiente, eles merecem atendimento veterinário especializado. Se ele ficar doente, você vai precisar de um veterinário que entenda do assunto pra tratá-lo.
  3. Você tem espaço suficiente? Ele não poderá ficar na mesma gaiola dos seus outros ratos. Caso ele já tenha um companheiro você pode adotar os dois e deixá-los juntos, mas se ele sempre esteve sozinho é aconselhável não mudar essa situação.
  4. Você está psicologicamente preparado? Adotar um rato de laboratório é difícil. É possível que ele nunca se acostume com humanos e odeie você pelo resto de seus dias. É possível que fique muito doente e precise ser medicado todos os dias. É possível que seja muito carente e precise de atenção durante várias horas no dia. Mas também é possível que se torne um rato amoroso e feliz. Você precisa estar preparado para qualquer coisa.
Eu espero que essas perguntas não tenham desanimado muitos de vocês. Esses ratos precisam de nós.

Phobos e Deimos

Nós adotamos dois ratos de laboratório. O Phobos e o Deimos participaram de um experimento em uma universidade como parte de uma disciplina de psicologia behaviorista. O experimento em questão tem fins didáticos e é completamente desnecessário, uma vez que foi documentado em vídeo inúmeras vezes (sempre com o mesmo resultado) e também pode ser substituído por uma simulação com o uso de um software, mas essa é outra discussão. Eles eram submetidos a períodos de 48 horas sem água, após os quais eles tinham que apertar uma barrinha para receber uma quantia de água muito menor do que a que eles precisavam. Ao término da disciplina eles foram resgatados por uma aluna do curso, que os deu pra nós.

Quando eles chegaram aqui, ambos sofriam de pneumonia severa e estavam muito magros. A aluna que os resgatou não sabia como cuidar deles e os mantinha em ambiente externo com pouca higiene. O Phobos estava com a ponta do rabo quebrada, e o Deimos teve a ponta do rabo arrancada por conta de manuseio incorreto. O ossinho do rabo estava para fora e ele sentia muita dor. Foram semanas dando antibióticos para dois ratos que estavam aterrorizados. Eles tinham diarréia toda vez que iam tomar remédio, de medo. Foram muitas mordidas e arranhões, mas eles melhoraram.
Eles se recuperaram e se tornaram ratos extremamente fofos o carinhosos. O Phobos faleceu recentemente, com quase 3 anos de idade. O Deimos está bem, e passa boa parte do dia comigo fora da gaiola. Mesmo assim, o Deimos tem o reflexo de morder algum dedo que apareça desavisado na gaiola. É trauma.
 

Eu estou pronto! Quero adotar!

Supostamente, deveria ser fácil entrar em contado com biotérios e universidades que utilizam os ratos para pesquisa e adotá-los, mas não é. Todos os lugares que eu conheço simplesmente praticam a eutanásia. O que você pode fazer é entrar em contato com esses lugares e tentar convencê-los a seguir a lei. Lembrando que não é toda experiência que permite que o animal seja adotado depois. É bastante comum as universidades utilizarem ratos em departamentos de psicologia em disciplinas de behaviorismo. Se você conhece algum aluno de psicologia pergunte sobre isso. Adotar esses animais é importante, mas é mais importante que a utilização de animais em situações desnecessárias como essa pare.
Vamos então a algumas dicas sobre como cuidar desses ratos:
  1. Antes de trazê-los pra casa, procure saber por que tipo de experiência passaram. Isso pode te dar alguma idéia de que tipo de trauma eles podem ter. Quando o Phobos e o Deimos chegaram eu deixava duas garrafinhas de água na gaiola, sempre cheias. Eles bebiam água desesperadamente.
  2. Assim que eles chegarem na sua casa, marque uma consulta com o veterinário. Como você não os conhece, um check up completo é importante. Talvez você tenha ouvido falar que ratos de laboratório não tem micoplasmose. Isso não é verdade. Realmente, alguns ratos de laboratório em específico, são criados de maneira que não tenham micoplasmose. Não são todos, e não é o mais comum.
  3. No começo a gaiola deve ser simples, espartana. O rato de laboratório não está acostumado com um ambiente grande e rico. Colocá-los imediatamente em uma gaiola radicalmente diferente do que estão acostumados pode gerar muito estresse. Comece com uma gaiola sem brinquedos, com uma casinha para abrigo, água e a ração que já estavam acostumados. Provavelmente labina. Apesar de simples, a gaiola deve ser de tamanho adequado. Veja nosso post Lar doce Lar.
  4. Tenha MUITA paciência. Não tente pegar o rato no colo ou fazer carinho logo de cara. Converse com ele e espere que ele se acostume com a sua voz.
  5. Se o rato morder, respeite o trauma dele. Avise quando chegar perto da gaiola para trocar a comida e a água. NUNCA grite com o rato, segure pelo rabo ou faça movimentos bruscos. A palavra aqui é paciência.
  6. Quando você perceber que o rato já confia em você como alguém que o alimenta, pode começar a oferecer outras comidinhas. Se quiser trocar a ração, faça aos poucos. O Phobos e o Deimos comem Equilíbrato. O petisco favorito deles é castanha do pará; se apaixonaram desde a primeira vez.
  7. Quando você perceber que o rato já se sente seguro na gaiola, pode começar a colocar brinquedos, redes e outras coisas. Nada radical, um pouco de cada vez.
Espero que esse post incentive mais pessoas a cuidar de ratos de laboratório aposentados e a lutar pelos direitos deles. Nós estamos disponíveis para tirar quaisquer dúvidas. Você pode entrar em contato pelo link ou pela nossa página no facebook.
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Direitos e deveres dos ratos

Por Luiz Henrique.

Muitas pessoas têm mostrado preocupações com a legislação, desde o transporte de nossos pequenos amigos, até seu uso em laboratórios. Pensando nisso, resolvemos trazer para vocês uma pequena compilação dos direitos e deveres dos ratos.

Em primeiro lugar, ratos não têm deveres. Eles não devem ter responsabilidade alguma sobre o que for. Sendo assim, vamos aos seus direitos (e de seus tutores). Vocês vão perceber que a legislação brasileira é um pouco esquisita, quando o assunto é companhia não humana.

O transporte

O tempo todo vemos pessoas passeando por aí com seus gatos e cães, seja no carro ou no transporte coletivo. Isso porque, por lei, é permitido que as pessoas levem seus animais de estimação, em veículos particulares ou em caminhadas. Algumas cidades têm leis (municipais, portanto) permitindo que os animais de estimação acompanhem seus tutores no transporte coletivo. Ótimo, para eles. Para nós, nem tanto. Isso porque a lei brasileira classifica como animais de estimação apenas cães e gatos. Outras espécies de animais não são consideradas de estimação. E isso inclui ratos. Por mais surreal que pareça, o transporte de um rato por aí é regido pela mesma legislação que a do transporte de um boi. Para o transporte de animais que não sejam de estimação e ovos férteis, é necessário possuir uma Guia de Transporte Animal (ou GTA – o governo adora siglas). A GTA é emitida por órgãos municipais ou estaduais, ou por médicos veterinários cadastrados, conveniados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (o MAPA). A GTA contém, entre outras, as seguintes informações:

  • Atestado sanitário do animal. Deve ser emitido por médico veterinário conveniado, com registro no CRMV do ponto de origem do trajeto. Se o seu veterinário de confiança não for cadastrado no sistema de defesa sanitária, o atestado dele não vale – mesmo que seja o melhor e mais experiente veterinário de ratos.
  • Responsável pelo animal. Cada pessoa que carregue um bichinho precisa de uma GTA diferente.
  • Origem e destino do transporte. Isso significa que é uma GTA para a ida e outra para a volta. Se estiver indo de um estado para outro, origem e destino estão sob tutela de CRMVs diferentes. Assim, em geral, o atestado sanitário será emitido por veterinários diferentes (o CRMV é um órgão de abrangência estadual).
  • Descrição do animal, incluindo espécie. Isso significa que se você estiver levando três ratos, dois porquinhos-da-índia e um hamster, vai precisar de três GTAs (pelo menos). Uma para os ratos, uma para os porquinhos-da-índia e uma para o hamster. São seis GTAs, se você pretende trazê-los de volta para casa, portanto.

As exigências para o transporte variam entre estados. Aqui no Paraná, as exigências para o transporte de ratos são as seguintes. Em primeiro lugar,  a GTA, segundo modelo do MAPA. Em segundo lugar, os ratos devem estar acondicionados, nas palavras deles, “em embalagens novas e apropriadas (caixas de transporte, bandejas, etc.). No caso de embalagens reutilizáveis, as mesmas deverão ser previamente lavadas e desinfetadas com produtos registrados.”. Por último, o atestado sanitário, emitido por veterinário inscrito no CRMV/PR.

Dito isso, a obrigatoriedade das companhias aéreas e terrestres de transportar animais é relativa a animais de estimação – cães e gatos. Para transportar ratos em aviões e ônibus, muita conversa é necessária, antes da viagem. Para viagens internacionais, é necessário verificar a legislação do outro país, também. Às vezes, a legislação de províncias, também. Por exemplo, na província de Alberta, no Canadá, ratos são animais proibidos. Umas poucas instituições (geralmente de pesquisa) têm autorização para manter ratos. É proibida a entrada de ratos, alimentar ratos, etc. Como é crescente a criação de ratos como animais de estimação no resto do Canadá, alguns residentes de Alberta tentam mudar essa lei. Mas, sabe como é… Se for viajar, é necessário ver tudo isso.

Eu não sei quanto a vocês, mas eu acho a lei brasileira, sobre o transporte de ratos, absurda. É claro que, enquanto estiver vigente, só nos resta obedecer. Mas está na hora de uma mudança drástica em como vemos e tratamos nossos amigos. Não são apenas cães e gatos que consideramos de estimação. Coloco um outro exemplo. Há, no Senado Federal, um projeto de lei tramitando (PL nº 411/2015) para que animais de companhia de deficientes sejam admitidos em estabelecimentos comerciais e no transporte público, como já é feito com cães-guia, para deficientes visuais. A justificativa é que há cães que auxiliam deficientes auditivos, cães que percebem a iminência de um ataque cardíaco (que acompanham, assim, portadores de condições cardíacas) e cães que auxiliam autistas no controle da ansiedade, principalmente a ansiedade gerada por ambientes com muitas pessoas e estímulos sensoriais. Assim, a lei prevê que qualquer cão, treinado para isso, pode acompanhar seu tutor deficiente. Ótimo, mas e se o autista tiver um rato para controle de ansiedade? Sinto muito, o rato terá que ficar em casa. E posso dizer, em primeira mão, que ratos são muito mais eficientes no controle de ansiedade em autistas, do que cães. Mas é aquela coisa… Animal de companhia é cachorro. Temos que mudar isso.

O uso científico

Muita gente não sabe, mas existe uma lei para isso. É a lei federal nº 11.794 de 8 de outubro de 2008. Lá está descrito a quem compete definir o que é um protocolo aceitável para o uso de animais em experiências científicas. Também está descrito o que é um animal. Para fins legais, um animal é um vertebrado. Ou seja, um polvo não é um animal (para os legisladores). Isso é preocupante, pois polvos são inteligentes e sensíveis e estão completamente desamparados pela lei. O pior, é que tem gente que acha que, por causa dessa lei, pode-se ignorar a lei de crimes ambientais. Em especial, me refiro ao § 1º, art. 32 (da lei 9.605 de 12 de fevereiro de 1998). A lei diz o seguinte,

“Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:

Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.

§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.”

Se você estuda em uma faculdade que realiza tais experiências, ou conhece alguma que realiza, denuncie! A denúncia pode ser feita para a Sociedade Protetora dos Animais mais próxima de você, que a encaminhará para as autoridades competentes.

Abusos

Outro ponto importante da lei de crimes ambientais é a questão da mutilação. Chegaram até nós relatos de que uma casa de venda de animais cortava metade do rabo dos ratos para diferenciá-los dos ratos de rua. Isso é crime. É mutilação de animal exótico, segundo a lei.

A eutanásia pode ser praticada nas seguintes situações (resolução n° 1000 de 11 de maio de 2012, do CFMV – Conselho Federal de Medicina Veterinária):

  • o bem-estar do animal estiver comprometido de forma irreversível, sendo um meio de eliminar a dor ou o sofrimento dos animais, os quais não podem ser controlados por meio de analgésicos, de sedativos ou de outros tratamentos;
  • o animal constituir ameaça à saúde pública;
  • o animal constituir risco à fauna nativa ou ao meio ambiente;
  • o animal for objeto de atividades científicas, devidamente aprovadas por uma Comissão de Ética para o Uso de Animais – CEUA;
  • o tratamento representar custos incompatíveis com a atividade produtiva a que o animal se destina ou com os recursos financeiros do proprietário.

No último tópico, deve ficar claro que a palavra “tratamento” subentende doença. Provocar a morte de animais em qualquer outra situação não é eutanásia, é assassinato. Vale lembrar que, mesmo quando a eutanásia é indicada, apenas um médico veterinário pode efetuá-la. Mesmo que um roedor sirva de alimento a um réptil, ele deve ser sacrificado, de maneira “humanitária”, antes de ser oferecido. É mito isso de que cobras só comem coisas vivas. Eles não precisam estar vivos. Basta que estejam quentes. Oferecer animais vivos como alimento a outros é crime. A única exceção é quando pretende-se retornar o predador à vida selvagem. Aí não tem jeito – ele precisa manter seus instintos de caça aguçados.

Espero que este texto tenha tirado algumas de suas dúvidas e que sirva para termos tutores e criadores mais responsáveis e conscientes de seus direitos e deveres. Quero terminar com um link para a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, fornecida pelo CFMV. Boa leitura!

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O que aprendemos com a Sáti

Por Aline Pêgas

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Primeiro dia da Sáti conosco. Eu tive que ir correndo comprar tela.

A Sáti foi uma das nossas primeiras ratas. Ela, a Maya e a Kali vieram morar conosco no dia 1° de abril de 2015. Na época era dificílimo encontrar ratos pra vender ou adotar em Curitiba. Depois de bastante tempo procurando, encontramos uma clínica veterinária que criava ratos para alimentação de répteis e também os vendia como animais de estimação (sinceramente, acho que ninguém antes de nós havia pedido um rato como animal de estimação nessa clínica). Essa semana, no dia 27 de fevereiro, ela faleceu. Durante quase 2 anos a Sáti conviveu conosco, mudando pra sempre as nossas vidas. Ela e suas irmãs inspiraram a criação desse blog. Em homenagem à Sáti, vou contar um pouco da história dela e das coisas que nos ensinou. Espero que nossa experiência com ela ajude muitos humanos a se tornarem grandes amigos de seus ratos.

A Conquista

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Depois de alguns dias conosco, já estava confiante pra dormir fora da toca.

Quando você traz um rato pra casa, ele não é automaticamente seu amigo. Há um período de conquista e adaptação. Quando o rato veio de um criador responsável, que fez uma socialização adequada, é mais fácil. Mas mesmo assim, os primeiros dias são um pouco tímidos. A Sáti não foi criada pra ser um rato de casa, ela nasceu num biotério onde provavelmente era manipulada incorretamente. A sua irmã Maya já chegou aqui com a pontinha do rabo faltando. Nos primeiros dias a Sáti e a Maya tinham medo de sair da casinha. Era a Kali, mais corajosa, quem ia buscar ração no comedouro e levava pra elas dentro da casinha.

Eu e o Luiz Henrique, meu marido, havíamos lido muito a respeito de ratos antes de trazer as meninas pra casa. Um dos fatores que nos levou a querer ratos ao invés de mais camundongos foi termos lido que os ratos interagem mais com as pessoas. Aqueles vídeos fofinhos de ratos esbugalhando os olhos enquanto recebem carinho nos derreteram. Mas, as nossas meninas não eram assim. Elas pareciam muito medrosas. A Maya e a Kali se socializaram mais rápido, mas a Sáti era medrosa e mordia. O que o Luiz fez pra conquistá-la foi levá-la pra passear pela casa dentro de uma bolsinha de crochê onde ela se sentia segura. Depois de alguns dias ela começou a vir correndo pra porta quando via a bolsinha. Depois de duas semanas já subia no ombro do Luiz pra passear. Era outra pessoa. Ela nos adotou como sua família.

Eu que mando

A Sáti sempre teve uma personalidade forte. Nós a chamamos carinhosamente de baixinha terrível. Ela nunca foi a fêmea alfa da gaiola, mas não estava nem aí pra isso. A Sáti fazia o que quisesse. Com humanos era a mesma coisa. Você não podia esperar que ela ficasse quietinha no seu colo pra receber carinho, mas ela fazia carinho em você. Todos os dias durante seu passeio matutino no quarto a Sáti limpava o rosto do Luiz com a maior diligência. Suas lambidas e beijinhos eram uma forma de cuidado conosco. Sentiremos muita falta disso.

Maternidade

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Lindas borrachinhas

Em outubro de 2015 nós cruzamos a Sáti e o Odin. Eles tiveram dez lindos filhotinhos: Baldur, Frey, Frigga, Loki, Nanna, Sol, Syf, Thor, Tyr e Var. Essas são as crianças mais fofas do universo e região. Ficou claro para nós que os filhotes não herdam apenas as características físicas dos pais, mas a personalidade. Os filhos da Sáti são lindos, empáticos, carinhosos e inteligentes. Ela se dedicou a eles completamente. Os bebês estavam sempre limpinhos, aquecidos e bem alimentados.

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Ser mãe às vezes cansa

Em alguns meses a Sáti voltou a ser a menor rata da casa, com aproximadamente 220g. Seu maior filho, Baldur, tem 700g. Ela voltou a ser mãe, dessa vez adotiva. Nas duas vezes em que apresentamos meninas novas para as novas fêmeas, a Sáti as adotou e cuidou delas como se fossem da família.

Nossa pequenininha

Sábado passado, nossa pequenininha faleceu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. No seu último dia ela estava um pouco inquieta, não quis ficar na gaiola. Ela queria ficar no colo do papai. Passou suas últimos horas no ombro da pessoa que ela mais amava. Ela sempre será amada, e suas histórias sempre serão contadas aqui. Seguem mais algumas fotos da baixinha terrível.

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Sáti subindo no colchão dois dias após dar à luz

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Isso é um espelho? O que tem aqui atrás?

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Barrigão dois dias antes de chegarem os filhotinhos

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Com o Baldur e a Nanna

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Dormindo com o Tyr

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Seus maravilhosos filhotinhos

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Já mais velha, fazendo companhia pra mamãe no sofá e comendo um pouco de granola.

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Algumas doenças não muito conhecidas

Por Luiz Henrique.

A gente cuida, faz de tudo pela saúde dos nossos filhotes, mas às vezes eles adoecem de um jeito, que é difícil saber o que há de errado.

Um grande desafio para quem cuida de ratos é o fato de que eles fazem de tudo para esconder que estão com algum problema de saúde. É um comportamento típico de animais que, na vida selvagem, são presas. Predadores procuram por indivíduos que sejam mais fáceis de pegar. É a lei do menor esforço. Assim, demonstrar fraqueza pode significar tornar-se alvo de um predador. Se o seu rato está visivelmente doente, é porque a coisa é séria.

Uma estratégia para evitar que uma doença passe despercebida é acompanhar o peso deles. Já discutimos sobre isso, aqui. Mas, às vezes, eles começam a perder peso, ficar abatidos e tristonhos, sem razão aparente. E é só aparência – sempre há uma razão por trás disso.

Um problema conhecido em outros bichinhos de estimação, mas que pode passar despercebido em ratas, é a piometra. Se a ratinha nunca cruzou na vida, chega um certo momento em que podem ocorrer mudanças no interior de seu útero que facilitam a proliferação de bactérias, causando uma infecção. Essa infecção, por si só, já é séria e, se não for tratada, pode agravar-se muito, atingindo outros órgãos e levar à morte. A menina perde peso, fica amuada e uma secreção purulenta que sai de sua vagina pode denunciar a piometra. Uma visita ao veterinário deve resolver o problema. A questão é que as coisas nem sempre transcorrem assim. Pode acontecer de ela ter uma piometra “fechada”. A passagem do útero à vagina permanece fechada, fazendo com que a secreção se acumule no útero. A menina perde peso, fica amuada e, às vezes, com a barriga inchada. Sem tratamento, o útero pode se romper e a secreção vai parar dentro do abdômen. É parecido com o que acontece quando um apêndice se rompe por causa de apendicite – isso mata muito rápido. O diagnóstico de uma piometra fechada é muito difícil.

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“Tum-tum, tum-tum, tum-tum..”    – Frey

Outros problemas que são muito difíceis de detectar são os cardíacos. Ratos têm muitos problemas respiratórios e é comum que, por causa deles, se sintam mais cansados, tenham aquele ronco característico e fiquem amuados. Mas estes também são sintomas de problemas cardíacos, que precisam de atenção. É preciso um veterinário experiente para o diagnóstico correto. Um destes problemas é a síndrome de Marfan. É uma condição genética que afeta a produção de fibrilina e, portanto, uma série de tecidos no corpo. Em humanos, há alterações no esqueleto da pessoa, fazendo com que a identificação não seja difícil. Em ratos, essas alterações não são muito pronunciadas, dificultando o diagnóstico. Invariavelmente, a deficiência de fibrilina vai causar alterações no coração que levam à insuficiência cardíaca, com sintomas parecidos aos de uma infecção respiratória. Se não for tratada, pode levar a hipertensão arterial e a aneurisma da aorta (aquela artéria enorme que sai do coração), que pode causar a morte. Como é uma condição de nascença, não existe cura. Mas o controle da pressão arterial é fundamental.

Ainda assim, alguns ratos podem não ter síndrome de Marfan e exibir os mesmos sintomas (com mesmas consequências) de insuficiência cardíaca. Ratos da linhagem Brown-Norway têm alta incidência de permanência do canal arterial. Quando estamos dentro do útero de nossas mães, não dependemos de nossos pulmões para respirar. O oxigênio nos é entregue pelo cordão umbilical. É vantajoso, nessa época, que haja uma comunicação entre a aorta e a artéria pulmonar. Após o nascimento, passamos a depender dos pulmões para o fornecimento de oxigênio. O sangue que passa pela artéria pulmonar é pobre em oxigênio e o que passa pela aorta é rico em oxigênio. O canal arterial empobrece o sangue da aorta em oxigênio. O problema é que a aorta entrega sangue (com oxigênio) para o corpo inteiro. O canal precisa se fechar, ou a pessoa terá sérios problemas na distribuição de oxigênio. Isso leva à insuficiência cardíaca. Em humanos, caso o canal não se feche sozinho, é necessário cirurgia. Em um artigo da revista Nature, pesquisadores afirmam que a incidência da permanência deste canal é enorme em ratos Brown-Norway. Todos os estudados apresentavam esta condição. Em contrapartida, nenhum dos ratos Wistar a apresentava. É uma condição genética, que afeta a produção de elastina naquela região (importante para que o canal se feche), que depende fortemente da linhagem. Nestes casos, não é possível (ou melhor, talvez não seja viável) fazer cirurgia, mas a pressão arterial deve ser mantida sob controle, com medicação.

Com a popularização dos ratos como animais de estimação, problemas de saúde ligados às linhagens começam a se tornar importantes. Hoje, as diferenças ocorrem entre linhagens. Amanhã, essas linhagens podem dar origem a diferentes raças. Com criadores introduzindo ratos de origens diferentes (diferentes dos Wistar, comumente encontrados nos laboratórios nacionais), é necessário que os profissionais de saúde estejam sempre atualizados em seu conhecimento.

Se seu bichinho tiver alguns desses sintomas, leve-o ao seu veterinário de confiança. Não perca tempo procurando dicas na Internet. Nada substitui uma consulta.

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Bem vinda, Pandora!

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O Rato de Casa orgulhosamente apresenta: Pandora! A mais nova integrante da família, e do time. A Pandora chegou aqui no dia 3 de janeiro de 2017, mas até agora não tínhamos apresentado ela pra vocês. Esse será um post curtinho, num clima mais leve.

Essa coisa fofa que vocês estão vendo na foto foi um presente do Luiz França, um dos nossos leitores. Os pais da Pandora vieram do Rattaria Brasil.

A Pandora é cheia de energia, não sabe o que é chão (prefere andar pelas paredes). Demorou um pouquinho para se enturmar com as nossas meninas, mas agora foi adotada e é querida por todas. Está crescendo rápido e está cada dia mais linda.

Bem vinda, Pandora!

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A descoberta do mundo

Por Luiz Henrique.

Nós, humanos, temos um desenvolvimento um tanto diferente dos outros mamíferos. Temos uma infância longa, que vai até os 12 anos, mais ou menos, e uma adolescência ainda maior, que começa por volta dos 12 anos e pode ir até os 20 anos. (Em alguns casos, pode ir até os 40.) Mas, ao menos fisicamente, nascemos já parecidos com nossos pais. Daí em diante, passamos por várias fases no desenvolvimento físico e cognitivo, que caracterizam nossa jornada à vida adulta. Mas e os ratos? Com os ratos, é tudo muito diferente. Quando nascem, parecem não estar prontos. E, em muitos aspectos, não estão mesmo. Neste post, quero guiar você pelas fases no desenvolvimento de um rato, contando alguns aspectos desse caminho deles, do nascimento à vida adulta.

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Borrachinha

Quando nascem, os ratos são umas coisinhas sem pelo, parecidas com borrachinhas cor-de-rosa. Não parecem em nada com os adultos que vemos por aí. Eles têm sensação tátil em apenas algumas partes do corpo, normalmente associadas aos lugares em que a mãe os pega para carregá-los, são capazes de sentir diferenças de temperatura, sabem quando estão inclinados (e quanto) e um pequeno, mas funcional, olfato. Os ouvidos e olhos estão fechados. As narinas estão abertas, mesmo porque precisam delas para respirar – ratos não respiram pela boca (ao contrário de nós).

Apesar de pobre, o olfato é responsável por boa parte da informação que o rato tem sobre o mundo, nessa idade. Ele vai melhorando gradualmente até atingir seu auge, por volta do 17º dia de vida. Para se ter uma ideia de sua importância, é através dele que o pequenino encontra os mamilos da mãe, para poder mamar. Se, por exemplo, lavarmos o ventre da mãe, eles não vão conseguir encontrar os mamilos e não vão mamar, até que seu cheiro volte ao normal. Não tente isso em casa.

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Tyr, Baldur, Loki e Frey

Nessa fase, são completamente dependentes da mãe. Inclusive, precisam de seu estímulo para fazer suas necessidades. É necessário que a mãe estimule a região urogenital para que consigam urinar e evacuar. Ela estimula lambendo a região, higienizando assim o pequenino. Lamber, nesse caso, serve não só para mantê-los limpos e fortalecer os laços afetivos entre mãe e filho. Nessa fase, a mãe tem uma necessidade e um apetite voraz de sódio. A urina dos pequeninos é muito rica em sódio, fazendo com que a mãe tenha bons motivos para lambê-la. Conforme vão crescendo, os rins dos pequenos passam a funcionar melhor e o teor de sódio em sua urina diminui, fazendo com que a mãe perca o interesse na prática. Nesse ponto, eles já são capazes de fazer suas necessidades sozinhos.

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Baldur, com os olhos recém abertos.

Eles são capazes de ouvir algumas poucas coisas, mas o canal auditivo só se abre mesmo lá pelo 12º dia. Nesse ponto, começam a ficar mais espertinhos. Aliás, entre o 10º e o 15º dia, muita coisa acontece na vida do pequenino. É nesse período que ele descobre o mundo. Por volta do 10º dia, eles começam a engatinhar. Por volta do 12º, começam a andar. Com quinze dias, estão correndo por aí. É no 15º dia que os olhos se abrem. Antes disso, conseguem perceber iluminação. Normalmente, eles fogem de fontes de luz. A visão em si ainda demora um pouquinho para amadurecer. O fato de terem aberto os olhos não significa que consigam definir padrões em uma imagem. Mas eles já enxergam o suficiente para começar a fazer travessuras.

É nessa época que começam a se aventurar fora do ninho. Acompanham a mãe para aprender o que devem ou não comer, como devem se comportar, etc. Vão aos lugares onde os adultos se reúnem para comer e também aprendem com eles. Começam a associar os alimentos que consomem a sensação de bem-estar ou mal-estar e começam a conhecer os outros membros da família. No fim da noite, é hora de voltar para casa e mamar mais um pouco.

Para nós, é normal o fato de não nos lembrarmos dos primeiros meses de nossas vidas. Quanto aos ratos, existem evidências que apontam na direção de que essa fase de amnésia infantil dura até o décimo oitavo dia. Em sua vida adulta, um rato não terá consciência do que acontecer até por volta deste dia.

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Almoço de domingo em família.

Até então, são bem desengonçados. A capacidade motora de seus membros não está bem desenvolvida. É por volta do 18º dia que passam a sentar-se para comer. Ficam com as perninhas espalhadas para os lados. Não é a mesma posição em que os adultos comem. Os meninos conseguem sentar-se como gente grande por volta do 21º dia e as meninas, por volta do 24º. É aí que as pernas (as patas traseiras) estão quase completamente desenvolvidas.

É difícil comer se você não consegue sentar direito.Por volta do 19° dia, os pequenos tentam fazer como os adultos – sentar, pegar a comida com as mãozinhas e comer. No começo, é um desastre. Depois eles melhoram. Mas só vão conseguir fazer como os adultos, lá pelo 26º dia.

Isso de ter pernas ágeis e bem desenvolvidas é importante. Lá pelo 17º dia, a pestinha mal consegue se sentar, mas já consegue roubar a comida do irmãozinho. Este é um comportamento bastante comum. Eles não conseguem evitar, com eficiência, que a comida seja roubada até que suas pernas fiquem mais ágeis, por volta do 25º dia. A estratégia universal para evitar que o irmãozinho roube a comida de suas mãos é esperar que ele se aproxime bastante, para então girar o corpo em meia volta. Com pernas bem desenvolvidas, isso é fácil.

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Syf, sentadinha pra comer.

É hora de por em ação as novas habilidades motoras. É nessa fase que eles começam a brincar de lutinha e se embolar o tempo todo. Já não se interessam mais em mamar e as atenções se voltam mais uns para os outros. A adolescência chegou.

Atingem a maturidade sexual por volta do 40º dia. Nessa fase, as lutinhas começam a ficar bem sérias e se tornam disputas. Parecem violentas mas, em geral, não são. É o comportamento normal e saudável para eles. Isso também ajuda a fortalecer vínculos afetivos.

Por volta do 60º dia, atingem a idade adulta. As lutinhas se tornam menos frequentes. Mas se forem criados com amor e carinho, sempre serão brincalhões e nunca abandonarão a “criança interior”. Continuarão a experimentar a felicidade que traz uma brincadeira, até o fim de seus dias.

Para saber mais, confira nosso post “O mundo, segundo os ratos”.


O conteúdo deste post foi baseado em experiências pessoais e em informações contidas nos capítulos 25 e 26 do livro “The Behavior of the Laboratory Rat – a handbook with tests”, editado por Ian Q. Whishaw e Bryan Kolb, da Oxford University Press, em 2005.

 

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Meus pezinhos!

Por Aline Pêgas

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Odin descansando com seus pezinhos saudáveis à mostra.

Quem nunca ficou admirando os pezinhos do seu rato? Eu sempre fui fascinada pela delicadeza e força que eles tem nos pés. Apesar de se movimentarem em quatro apoios, na maior parte do tempo o peso de um rato é sustentado pelas patas traseiras (pés). Assim como os humanos, eles apoiam toda e completamente a sola dos pés no chão quando estão parados. Esses lindos pezinhos precisam de cuidados. Essa semana vamos falar sobre pododermatite ulcerativa (também conhecida como bumblefoot), um doença bastante comum entre aves, coelhos, porquinhos da índia e ratos. A maior parte das informações contidas nesse post vieram do artigo “Bumblefoot – A Comparison of Clinical Presentation and Treatment of Pododermatitis in Rabbits, Rodents and Birds“, por Jennifer Blair, publicado na revista Veterinary Clinics of North America: Exotic Animal Practice de setembro de 2013.

 

O que é a pododermatite ulcerativa?

Vamos começar com a definição do artigo que mencionei. Não se preocupe, aqui no Rato de Casa sempre explicamos a ciência numa linguagem que você possa entender. Numa tradução livre,

“Pododermatite descreve uma condição do pé que engloba uma variedade de apresentações clínicas, incluindo eritema moderado, ulcerações superficiais a profundas, e ulcerações profundas com osteomielite.”

Traduzindo pra você: o pezinho pode apresentar vermelhidão moderada, feridas superficiais a profundas, e feridas profundas com inflamação nos ossos.

Como identificar essa doença?

Em estágios avançados é muito fácil ver as feridas, mas vamos ensinar você a identificar o problema nos primeiros estágios. Quanto antes o tratamento começar, melhor. Em respeito às pessoas que não querem vem imagens fortes de ratos doentes, não vou colocar uma foto direta do problema em estágio avançado. Se você quiser ver uma foto, clique aqui.

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Estágio inicial

  • Primeiros sintomas: bem no comecinho, é possível notar vermelhidão na planta do pé, geralmente com uma pequena casquinha mais seca na pele.
  • Começo da infecção: em seguida, podem se formar bolhas e haver inchaço.
  • Estágio intermediário: as feridas ficam grandes e uma grande bola se forma na sola do pé.
  • Estágio avançado: As feridas avançam para as partes mais internas dos pés. Há sangramento, necrose dos tecidos e infecções bacterianas secundárias podem aparecer.

Sem tratamento, a pododermatite pode levar a doenças sistêmicas como artrite e endocardite vegetativa (uma inflamação no coração). Inflamação crônica e infecções vindas da pododermatite podem levar a problemas nos rins, fígado, baço, glândulas adrenais e pâncreas, principalmente em porquinhos da índia.

Causas e prevenção

Por muito tempo acreditou-se que ratos contraíam pododermatite por causa de gaiolas de metal, quando pisam diretamente nas barras e não tem chão sólido. Hoje sabemos que não é só isso. Existem diversos fatores que podem influenciar. Vamos a eles?

  1. Peso: Obesidade e gravidez aumentam a pressão exercida sobre os pés e podem favorecer o aparecimento da doença. Quanto à gravidez não tem o que fazer, mas como ela dura apenas entre 20 e 23 dias, a rata não deve ter grandes problemas. Se um rato obeso apresentar sinais de pododermatite, além do tratamento com o veterinário, uma dieta pode ajudar. Para isso, também consulte seu veterinário ou um zootecnista.
  2. Substrato: O tipo de chão onde os ratos andam influencia a distribuição de peso entre a palma dos pés e os dedos. Chão duro como cimento, vidro ou lajotas podem levar a uma distribuição de peso prejudicial. Substrato abrasivo como carpet também pode levar à pododermatite por causa do aumento da fricção e irritação da pele. Pisar direto em barras de metal eu não preciso nem falar, é problema na certa. O melhor é que o chão forneça algum amortecimento.
  3. Falta de atividade: Ratos que não se exercitam ou moram em uma gaiola pequena também tem mais chances de desenvolver a doença. Leve seu rato pra passear dentro de casa e promova um ambiente rico e estimulante dentro da gaiola.
  4. Anormalidades anatômicas: Ratos que já tem alguma deformidade nos pés, seja de nascença ou não, tem mais chances de ter pododermatite. Se seu rato tem algum problema do tipo, forneça um chão fofinho pra ele pisar.
  5. Falta de higiene: forração suja, molhada ou com fezes aumenta o risco de pododermatite e infecções secundárias. Mantenha uma gaiola limpinha. Se seu rato já apresenta sintomas da doença, aumente a freqüência das limpezas.
  6. Questões nutricionais: Um parêntese para nossos amigos porquinhos da índia. Deficiência de vitamina C é um importante fator na predisposição à doença nesses animais.
  7. Trauma e outras doenças: A pododermatite pode aparecer como conseqüência de um machucado no pé, ou outra doença que afete a distribuição de peso do rato.
  8. Comportamento: Estresse é um fator de risco. Um rato estressado pode apresentar comportamentos que são prejudiciais aos seus pés.

Tratamento

Se você suspeita que seu rato esteja nos estágios iniciais da pododermatite, a primeira coisa a fazer é identificar a causa do problema e corrigir. Se você não tem idéia do que possa ser, me mande uma mensagem; talvez eu possa ajudar. Em seguida, marque uma consulta com seu veterinário. Não é porque você corrigiu a causa do problema que a ferida existente vai desaparecer. O veterinário irá receitar um tratamento para a ferida.

Se seu rato está em estágios mais avançados da doença, a primeira coisa a fazer é correr para o veterinário. Enquanto não chega o horário da consulta, analise o habitat do seu rato e tente determinar a causa do problema. Corrija o mais rápido possível.

Em estágios avançados seu rato pode precisar de cirurgia. Foi o caso do Aurélio, o rato da Bruna, nossa leitora de Curitiba – PR. O Aurélio foi adotado pela Bruna já com mais de um ano de idade após passar por experimentos behavioristas em uma universidade. Ele já tem dois anos e meio e vive em uma boa gaiola, sempre forrada com papelão. A Bruna troca o papelão com freqüência e mantém a gaiola higienizada. O Aurélio passeia pelo apartamento dela todos dias, é um rato ativo. Mesmo assim, teve pododermatite. Às vezes não é culpa do dono e a causa não é clara. Foi assim com o Aurélio. Ele foi levado ao veterinário e fez tratamento com pomadas para secar as feridas. Quando já estavam melhores ele precisou de cirurgia para remover as bolas que ficaram nos pés. Foi uma cirurgia rápida e bem sucedida, feita pelo Dr. André Richter Ribeiro, que foi entrevistado por nós no ano passado. O Aurélio está se recuperando bem.

Se você quiser ver as fotos da evolução do caso do Aurélio, clique aqui.

Fique sempre atento à saúde dos seus ratos. Pezinhos saudáveis devem ser rosados e estar com a pele lisa e macia. Ficamos por aqui. Semana que vêm o Luiz Henrique estará de volta. Tenham um bom fim de semana e até mais.

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Cuidados na terceira idade

Por Aline Pêgas

Como prometido, esta semana o post do Rato de Casa é sobre cuidados com ratos idosos. A primeira coisa a fazer é descobrir quando um rato está idoso. Ratos vivem em média 2 anos e meio. Vocês vão ter que me desculpar, mas como matematicista, eu vou ter que fazer uma pausa pra explicar o que significa “em média”. Se a média de um determinado dado x é M, isso significa que em metade dos casos o valor de x é menor que M e em metade dos casos é maior que M. Voltando à longevidade dos ratos, o valor que eu mencionei não é cientificamente acurado. Uma medição cuidadosa de quanto tempo vivem os ratos de estimação nunca foi feita. Segundo o AnAge (The Animal Ageing and Logevity Database), a idade máxima atingida por um rato de laboratório foi 3.8 anos. No Guinness Book of Records de 1995 temos o registro do Rodney, um rato de estimação que viveu 7 longos anos.

Vamos fazer uma pequena comparação entre a idade dos ratos e a dos humanos. Se você estiver curioso, pode ler mais a respeito no artigo “The Laboratory Rat: Relating Its Age With Human’s”, de Pallav Sengupta. Os dados das tabelas abaixo foram tirados deste artigo, que leva em consideração que ratos não se desenvolvem à mesma taxa que humanos.

Idade
do rato (anos)
Idade
Humana (anos)
6 meses (0.5) 18
12 meses (1.0) 30
18 meses (1.5) 45
24 meses (2.0) 60
30 meses (2.5) 75
36 meses (3.0) 90
42 meses (3.5) 105
45 meses (3.75) 113
48 meses (4.0) 120

Cuidados gerais

Um rato idoso não necessariamente ficará doente, mas terá dificuldades. Seu corpo e mente já não serão mais os mesmos. Vamos dar algumas dicas do que você pode fazer pra ajudá-lo.

  1. Reforme a gaiola
    Como conversamos na semana passada, é bom que nessa fase a gaiola seja o mais horizontal possível, com todas as facilidades no térreo. Você pode conferir nosso post especial sobre isso aqui.
  2. Auxilie na higiene
    Um rato idoso vai gastar menos as unhas e pode precisar de sua ajuda para cortá-las. Tome muito cuidado para não15337517_1775774586006977_8689363905341343292_n cortar a veia que passa dentro da unha. Você pode usar um cortador de unhas infantil, um alicate ou um cortador de unhas para gatos. Talvez você precise dar banhos mais frequentemente. Preste atenção na condição do pelo, principalmente na barriga. Se estiver úmido de urina, você pode dar um mini banho numa vasilha com água morna. Molhe só o que for necessário e seque bem depois. Pentear o pelo com uma escova de dentes macia vai ajudar a manter o pelo limpo e é uma forma de carinho que eles geralmente adoram. Verifique se ele tem cera no ouvido. Nessa idade é comum eles não conseguirem limpar sozinhos, você pode usar um cotonete com muito cuidado.
  3. Controle a temperatura
    Mantenha a temperatura o mais constante possível. O rato pode sentir mais frio, portanto forneça o que ele precisar para se aquecer.
  4. Verifique se está bem hidratado
    Com delicadeza, puxe a pele do rato para cima e solte. Se ela demorar para voltar, é um sinal de desidratação. Você pode fazer o mesmo teste nas costas da sua mão. Se necessário, dê água para o rato com uma seringa (sem agulha).
  5. Monitore o peso
    Perda de peso geralmente é indicativo de que algo está errado. Se seu rato perder muito peso de repente (algo como 10-20g), chame o veterinário para um checkup.
  6. Adapte a dieta
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    Papinha feita com ração Equilíbrato

    Os rins de um rato idoso já não funcionam tão bem. A dieta deve ter menos proteína. Eu não vou entrar em detalhes de nutrição nesse post, pois teremos um post mais específico sobre isso. Também pode acontecer de o rato não conseguir mais comer alimentos sólidos. Se isso acontecer e seu rato estiver acostumado com ração, você pode hidratar a ração com água e amassar com um garfo para fazer uma papinha que ele consiga comer.

  7. Cuide dos dentes
    Ratos idosos roem menos, e com isso os dentes podem ficar muito grandes. Dentes grandes podem trazer vários problemas de saúde, além de impedirem o rato de se alimentar. Pode ser necessário cortá-los. Isso só pode ser feito por um veterinário. Ele irá anestesiar o rato e usar equipamento de dentista para cortar os dentes.
  8. Promova exercício
    É importante que ratos idosos se movimentem, mesmo que não queiram. Tire o rato da gaiola por alguns minutos todos os dias e incentive-o a andar, mas não force-o. Se ele sofre de algum tipo de paralisia, você pode movimentar as pernas e braços dele gentilmente para estimular a região.
  9. Faça um pequeno checkup todos os dias
    Quando pegar seu rato, veja se ele está movimentando bem todos os membros. Verifique se está com perda de pelos, se reclama de dor ao ser apalpado em algum lugar, se tem feridas e se tem alguma bolinha ou crescimento anormal. Caso perceba algo diferente, chame um veterinário. Um diagnóstico feito o mais cedo possível pode fazer toda a diferença.

Doenças comuns na terceira idade

Vamos a uma lista de algumas das doenças mais comuns em ratos idosos.

  1. Paralisia
  2. Acidente vascular cerebral
  3. Inflamações de útero
  4. Insuficiência renal
  5. Pododermatite ulcerativa (bumblefoot)
  6. Alopecia (perda de pelos)
  7. Tumores

Muitas dessas doenças merecem um post exclusivo, e algumas terão. Na maioria delas, além dos cuidados indicados pelo veterinário, as dicas que demos acima são de grande ajuda.

Se seu rato contrair alguma dessas doenças, ou outra, não desista dele. Ele precisa de mais amor e carinho que nunca. Se você sempre quis um rato calminho para segurar no colo e acariciar, esse é seu momento! Você pode ter passado apenas alguns anos ao lado do seu rato, mas ele dedicou uma vida inteira a você.

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Da maternidade à casa de repouso: uma gaiola para cada fase da vida

Voltamos com tudo! Depois de uma pausa para as férias, o Rato de Casa está de volta com posts semanais e muitas novidades pra você. Estamos sempre abertos a sugestões, dúvidas e reclamações. Fale conosco aqui, ou pela nossa fanpage no Facebook. Você pode enviar fotos dos seus ratos e gaiolas, elas farão parte do álbum do leitor na nossa página. Agora, vamos ao que interessa.

Assim como nós, os ratos precisam de diferentes tipos de acomodação ao longo da vida. Enquanto um bebê rato precisa de segurança extra na gaiola para não escapar ou se machucar, um rato idoso precisa de adaptações que levem em consideração sua mobilidade reduzida.

Maternidade

maternidade

Nos primeiros dias de vida os bebês ainda não enxergam nem ouvem, mas andam. Uma gaiola com grades muito espaçadas pode permitir que um deles fuja. Basta uma hora longe da mãe para que um bebê morra de hipotermia. Uma boa maternidade para os primeiros dias de vida pode ser feita com uma caixa organizadora grande e bem ventilada. Você pode cortar a tampa e colocar uma tela de arame. Como você deve imaginar, não é tarefa fácil para a mãe cuidar de uma ninhada que, em média, tem 12 filhotes. Por isso é importante ter uma plataforma na maternidade onde só a mãe consegue subir. Assim, ela poderá descansar um pouco quando precisar. Coloque nessa plataforma água e comida para que a mãe consiga se alimentar em paz. Você pode ler mais sobre como cuidar de uma mãe grávida e seus filhotes no post Mamãe e bebês – parte II.

Jardim de Infância

jardimdeinfancia

Gaiola telada

Por volta dos quatorze dias de vida os bebês abrem os olhos. Um novo mundo espera para ser explorado. Nessa fase é importante para o desenvolvimento que os filhotes tenham espaço pra escalar, correr uns atrás dos outros e fazer bagunça. Eles podem ser movidos (junto com a mãe) para uma gaiola maior. Geralmente essa é a fase mais difícil para o humano. Na maioria das vezes envolve se arranhar todo pra passar tela na gaiola dos filhotes que ainda passam por entre as grades. Essa gaiola já pode ser a definitiva, onde alguns deles passarão a maior parte de suas vidas. Note que ainda não desmamaram, então nem todos viverão nessa gaiola pra sempre. Machos e fêmeas ainda terão que ser separados.

Mas como eu coloco tela na gaiola? Que tipo de tela? É difícil?

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Tela hexagonal

Esses são os dois tipos de tela que eu já usei. A hexagonal é bem barata, mas é mais difícil de colocar e corta bastante as mãos. Pra colocar, corte a tela em pedaços de dimensões adequadas para sua gaiola e use a própria tela para prender nas barras da gaiola. É preciso ter bastante cuidado para não deixar nenhuma ponta cortante para dentro. Minha dica é usar um único pedaço para envolver toda a lateral, assim você só terá uma aresta com pontas. A melhor ferramenta para cortar a tela é uma tesoura de funileiro, mas um alicate de corte também serve. Eu gosto de usar um alicate de bico para amassar as pontas da tela contra as barras da gaiola. Garanta que a tela está bem próxima das barras da gaiola, pois se os filhotes conseguirem sair da gaiola e começarem a andar entre as barras e a tela podem se machucar. Você pode usar abraçadeiras em alguns pontos para aproximar a tela das barras. Eu já tive um filhote que enfiou a cabeça em um dos hexágonos e ficou entalado, por sorte eu estava perto e pude acudi-lo. Quem fez a arte foi o Loki, e foi nesse dia que ele ganhou esse nome.

 

 

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Tela quadrada

A tela verde quadrada tem buracos com 1cm de lado. Ela é muito mais fácil de colocar, mas é cara. Essa tela você pode cortar em placas do tamanho de cada lado da gaiola e prender com abraçadeiras. Preste atenção nos primeiros dias, pois os ratos podem roer as abraçadeiras e você vai precisar substituir. Você também pode usar pedaços de arame, daí não precisa ter medo de roerem.

 

Lar doce lar

Quando os filhotes não passarem mais nos vãos da gaiola, você pode tirar a tela. Nesse ponto eles certamente já terão desmamado e pelo menos os machos não estarão mais com a mãe. Faça testes com um pedaço pequeno da gaiola e só tire a tela quando tiver certeza que nenhum fofinho vai escapar e fazer um tour pela casa.

Se você tem dúvidas sobre que tipo de gaiola comprar ou como construir uma de aramado, nosso post Lar Doce Lar tem tudo que você precisa. A grande vantagem das gaiolas de aramado é que são fáceis de modificar. Você pode usar aramado da maternidade à casa de repouso, basta alterar o número de peças e a disposição.

Não sabe o que colocar dentro da gaiola? Leia nosso post Design de Interiores.

Casa de repouso

Ratos idosos ou doentes tem dificuldades em subir escadas, escalar paredes e se deslocar muito para comer ou usar o banheirinho. Assim como humanos idosos, eles precisam de adaptações. É bom que nessa fase a gaiola seja o mais horizontal possível, com todas as facilidades no térreo. Comida, água e banheiro devem estar próximos à casinha. Caso alguns dos ratos na gaiola ainda sejam jovens e fortes, mantenha mais andares. Garanta que o rato idoso tenha tudo que precisa à mão. Outras adaptações podem ser necessárias, mas isso é assunto para outro post. Faremos um post exclusivo sobre cuidados com ratos idosos.

Essa gaiola foi recentemente rearranjada para o Phobos e o Deimos.

Tenham um bom fim de semana!

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